O setor de ônibus vem sendo acusado de caixa preta. Em função disso, virou um dos alvos das manifestações e protagonista da CPI dos transportes. O Rio Ônibus, sindicato que representa os quatro consórcios das empresas de ônibus, desde então, tem buscado dar transparência às suas ações e mostrar que o setor não tem nada a esconder. Muito pelo contrário. O Rio de Janeiro avançou muito em mobilidade urbana: BRT, BRS, uma das frotas mais novas do país, melhores índices de emissão de CO2, programa de treinamento para os rodoviários e mais uma série de iniciativas de modernização.
Para dar continuidade a esse processo de transparência, os empresários Jacob Barata Filho e Claudio Callak concederam uma entrevista ao Jornal O Globo, em que falam abertamente sobre a qualidade no serviço de transportes, estratégias de comunicação, CPI dos Ônibus, manifestações, redução do valor da tarifa e estigmatização do setor. Veja aqui as considerações dos empresários sobre as particularidades do setor.
MÃO DE OBRA
As empresas investem em mão de obra. A cada mês, cerca de quarenta motoristas são formados pelas empresas. Além disso, todos os 17 mil motoristas da cidade do Rio de Janeiro estão envolvidos num processo de treinamento para melhorar o atendimento ao grande universo de passageiros existente na cidade.
No entanto, a mão de obra é uma preocupação dos empresários. A redução da violência no Rio de Janeiro e o crescimento da economia deixaram o mercado aquecido em outros setores, como de logística e transporte de cargas, que, atualmente, pagam salários maiores que o transporte público. “O que dá o tom do que o setor pode pagar é a tarifa paga pelo usuário”, explica Jacob Barata Filho.
A solução encontrada pelo setor tem sido investir na bilhetagem eletrônica e treinar os cobradores para que eles possam se tornar motoristas. Com isso, seria possível reverter cerca de 15% da tarifa em aumento para os motoristas. “Não há como pagar salário ao menos 30% maior do que é pago hoje sem contrapartida tarifária”, confirma Jacob.