O setor de ônibus vem sendo acusado de caixa preta. Em função disso, virou um dos alvos das manifestações e protagonista da CPI dos transportes. O Rio Ônibus, sindicato que representa os quatro consórcios das empresas de ônibus, desde então, tem buscado dar transparência às suas ações e mostrar que o setor não tem nada a esconder. Muito pelo contrário. O Rio de Janeiro avançou muito em mobilidade urbana: BRT, BRS, uma das frotas mais novas do país, melhores índices de emissão de CO2, programa de treinamento para os rodoviários e mais uma série de iniciativas de modernização.
Para dar continuidade a esse processo de transparência, os empresários Jacob Barata Filho e Claudio Callak concederam uma entrevista ao Jornal O Globo, em que falam abertamente sobre a qualidade no serviço de transportes, estratégias de comunicação, CPI dos Ônibus, manifestações e estigmatização do setor. Veja a análise dos empresários sobre as consequências da redução do valor da tarifa.
Jacob Barata e Claudio Callak confirmaram ao O Globo que foram pegos de surpresa com a redução dos R$0,20 no valor da tarifa e que a decisão teve impacto no no setor. “Atrasou muito a renovação de frota e a coragem de renovação de frota. Tudo o que você pode fazer você faz. Enxuga despesas, enxuga custos e mesmo assim os efeitos são grandes. Esse processo está estrangulando a cadeia produtiva. Há reflexos na indústria de pneus, de chassi, de peças, de equipamentos eletrônicos e, consequentemente, na mão de obra de todos esses setores. Em dezembro, nós pagamos o 13º, mas os ônibus não têm bandeira 2. Temos 13 meses de despesa e 12 de receita. Pagamos 40 mil funcionários somente na cidade do Rio de Janeiro e os bancos sempre foram os financiadores históricos do 13º, mas agora com esse cenário eles não querem sentar à mesa para discutir”, afirma Claudio Callak.